quinta-feira, 19 de abril de 2012

Benvenuto

   Estreitos são os caminhos que sobram para nós nesse pedaço de terra e é justamente essa estreiteza que combatemos.
   Todo o lixo bem recolhido das ruas e de nossas cabeças devem aparecer na nossa cara como uma espinha que indica adolescência ou algum problema cutâneo qualquer.
   Chega de selos e insígnias, diplomas e alvarás, que nos habilitem a viver de forma plena aqui nesta cidade.
   Quem disse que essa cidade é empreendedora? Isso só é verdade se o número de patrões for maior do que o número de empregados e isso não é verdade.

Eu não sei empreender!

Eu não sei plantar uva!

Eu não sei fazer vinho!

Eu não sei fazer queijo!

   Queremos aproveitar as ruas da nossa cidade e todos os lugares que ficam nessas ruas mas não nos é permitido pois só nos resta o domingo e no domingo nós não vamos trabalhar. Queremos mais referências do que aqueles nomes de gravata palestrando para nossos patrões. Queremos ter a escolha de não sermos patrões nem empregados.

Eu não sou pró-ativo!

Eu não tenho MBA!

Eu não sei o que é MBA!

Eu não quero curso técnico!

   Queremos que os moradores de grandes edifícios não fechem as grades quando estivermos passando pela frente desses edifícios. Queremos respeito mesmo que nossos sobrenomes não tenham origem italiana. Quem disse que precisamos de condescendência? Quem disse que precisamos de pena cristã ou qualquer tipo de pena? Quem disse que precisamos de cristo, caravaggio, capelinha, frei?

Não ao catolicismo!

Não ao frei jaime!

Não ao uso de grades!

Não ao medo de mim!

   Queremos gritar sem pertencer a nenhuma categoria. Precisamos gritar na frente do espelho mas o espelho que nos oferecem não mostra nosso reflexo. Queremos encontrar nosso reflexo, nosso deus, nossa cultura real. Queremos um centro longe do centro. Longe do Juvenil e da catedral. Não queremos uma linha de produção de diplomas. Nossa curiosidade vai além do pólo metalmecânico. Não queremos erudição das academias burguesas.

Não ao lixo industrial!

Não ao lixo acadêmico!

Não ao lixo moral!

Não ao lixo cultural!