Trabalhava há muito tempo. Agências, entrevistas, testes, demissões. Pouco dinheiro, cansaço, tristeza. Se sentia esmagado pelo mundo, compensava consumindo seu dinheiro em ninharias que faziam aumentar a tristeza no final do mês. Esperava o fim da tarde, da semana, o feriado, as férias. Estava de saco cheio.
- Uma manhã indo ao trabalho, resolveu se dar uma xícara de café no lanche da esquina.
- Uma manhã indo ao trabalho, resolveu se dar uma xícara de café no lanche da esquina.
estava cheio. Sentou no balcão e pediu um café preto.
Ao seu lado havia um grupo de homens grisalhos discutindo animadamente. O assunto era a falta de qualificação da construção civil, o apoio do governo, a vagabundagem da nova geração e a natureza humana preguiçosa que gerava tragédias como o prédio que desmoronou ontem matando até agora 11 pessoas. Nunca houve uma geração mais trabalhadora que a nossa, esses aí não querem nada da vida.
Numa mesa no canto um casal jovem esbanjava e provava salgados e doces, refrigerante e risadas de quem foi demitido e ganhou uma bolada. Merda! Um cara conversava com o velho dono do bar sobre os reparos que fez na casa. Devagarinho seu fulano, mas caminhando hehe. O carro tá bom agora, voltou do mecânico, tá tinindo. Ééé, agora tenho uns diazinhos de folga vou aproveitar pra botar tudo em dia seu fulano.
Um grupinho de adolescentes numa mesa atrás cochichava e ria antes da aula. Outro desses mais ao fundo comia despreocupadamente e conversava banalidades. Vários casais jovens com pastas de currículos comendo pastel fechavam a cena.
Já se passaram quatro dias desta manhã, nosso herói vai todos os dias no café e lá fica.
Já se passaram quatro dias desta manhã, nosso herói vai todos os dias no café e lá fica.
Nenhum comentário:
Postar um comentário